CRC Couro

Matéria prima

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IDENTIFICAÇÕES DO COURO

Conforme definição da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o couro é um material oriundo exclusivamente da pele animal, curtida por qualquer processo constituído essencialmente de derme.
O couro constitui a pele do animal preservada da putrefação e apresenta uma textura extremamente rica de fibras colágenas, que deverão passar pelos diferentes estágios de transformação para se tornar flexível e macio. O couro pode ser definido como um subproduto animal que, após sofrer o processo de curtimento, não e mais passível de sofrer o ataque de microorganismos decompositores.
Representam muito mais do que a pura e simples cobertura externa de um animal. Constitui seu registro histórico, (pêlos, defeitos que ali estão gravados, pelos riscos, arranhões e cicatrizes) e a própria matéria prima da indústria do couro.

Por ser um produto natural, a palavra “couro” está protegida pela Lei 4.888/1965, que proíbe o seu emprego para denominar produtos industrializados que não sejam de origem animal; destacadas pelas seguintes providencias a título de proteção ao consumidor.

Art 1º - Fica proibido pôr à vista ou vender sob o nome de “couro” produtos que não sejam obtidos exclusivamente da pele animal.
Art 2º - Os produtos artificiais de imitação terão de ter sua natureza caracterizada pelo efeito de exposição e venda.
Art 3º - Fica também proibido o emprego da palavra “couro” mesmo modificada com prefixos e sufixos para denominar produtos não encontrados no art 1º.
Art 4º - A infração da presente lei constitui crime previsto no art 196 e seus parágrafos do código penal.

TIPOS DE COURO DE ACORDO COM A ORIGEM

Vacum: quando o couro for de origem bovina.

A procedência do nubuck e camurção é das peles bovinas.
A pele bovina-face ao tamanho e espessura - é dividido em duas partes: Flor e Raspa que servem para obtenção de couros utilizados na confecção de calçados, bolsas, vestuário e estofamentos.

Suíno: quando o couro for de origem suína.

Couro obtido do porco. Amplamente usado no vestuário por ser fino macio e muito resistente à fricção. É dividido em duas partes: Flor e Raspa. É fácil ser identificada, porque os folículos pilosos são bem desenvolvidos. Tem aspecto da pele humana. Por questões de valorização comercial as peles de porco são comparadas as de antílope.

Caprino: quando o couro for de origem caprina.
A procedência da camurça legitima é das peles de cabra. Os vestuários originados de pele de cabra são leves e macios. A pele de cabra é um couro resistente. É muito utilizada na fabricação de sapatos e bolsas femininos. Pode ser acabada para o vestuário na qualidade de camurça ou couro pelica (liso) em peças como luvas e vestuários com flor integral. Os melhores pergaminhos e couros para encadernação são de cabra. As peles de cabra com a flor lixada apresentam as mesmas características do chamois.

Ovino: quando o couro for de origem ovina (ovelha, carneiro, borrego).

A procedência do chamois legitima é o carneiro. É um couro macio, altamente elástico e tem capacidade de absorver e eliminar facilmente grandes quantidades de água. No processo produtivo pode ser submetida à operação de divisão, resultando daí em dois tipos de peles:
Camada Inferior ou Raspa
Depois de curtida transforma-se em couro classificado como CHAMOIS, aplicado na confecção de vestuário, limpeza de equipamento óptico e na fabricação de luvas, sendo ainda empregada para filtros de gasolina.
Camada Flor
A camada flor pode ser levada a uma diversidade infinita de curtentes e proporcionam couros finíssimos, principalmente os curtidos brancos. São empregados em vestuários, bolsas, sapatos e encadernações.

Mestiço: Pele bruta de diversas espécies de carneiro, cuja porção de pele é constituída de pelos que apresentam similaridade com os da cabra (pelica).

Quanto à origem não há uma literatura definida a respeito das peles de Mestiço, (o cruzamento entre caprinos e ovinos) designados como Sem Raça Definida-SRD.
Os vestuários originados das peles de Mestiços são os mais leves, nobres e possuem preço e procura elevado no mercado. São fáceis de serem identificados por apresentarem excelente resistência, maciez e um toque sedoso. As roupas confeccionadas com esse tipo de couro podem ser do tipo camurça, chamois e napa.

Camurça: o couro permanece com a flor. Porém, no acabamento, objetiva-se o carnal do couro.

Chamois: quando se utiliza o carnal ou parte inferior da divisão do couro ou através de efeito (retirada da flor com lixadeira) ganha a denominação de chamois.

Napa: Uso desse couro pela parte superior (flor integral), é denominado como napa. As napas oriundas das peles mestiças são as mais procuradas para a confecção de vestuários.

Exóticos: quando o couro for obtido de pele de peixes, crocodilos, pés de galinha, rãs, cobras, coelhos e outros pequenos animais.

Por serem muito pequenos, estes couros em geral são usados para confecção de acessórios como pulseira de relógio, detalhes de sapatos, bolsas, jóias e ultimamente largamente empregado no vestuário.
As peles com pêlo ou lã e as de peixe, cobra, crocodilo, mesmo depois de curtidas são chamadas de peles.

Couro de antílope: quando o couro for de origem na família dos bovídeos, natural do continente africano.

Não existe pele deste animal disponível no mercado nacional. Em algumas regiões dos Estados Unidos são encontrados criadores desses animais para a exportação da pele.
Classificar como antílope qualquer outra pele de animal é um engano.

Couro de bezerro: quando o couro for de origem bovina e recém-nascida.

Cromo alemão ou Box Calf é a classificação dada para as peles de bezerro utilizada pela indústria de calçados masculinos. É indicado também para confecção de vestuários leves. Costuma ser confundido com a pele de cabra.

Couro de búfalo: quando o couro for de origem bufalina.

Ainda há pouca oferta do mercado. Possuem elevada espessura, poros bem definidos e é empregado em botas, calçados e roupas mais rústicas.

Nonato: quando o couro for obtido de peles de origem bovina natimortos.

Gamulã: termo genérico para os curtidos com lã (ovelha, carneiro, borrego).

Eqüino: quando o couro for de origem eqüina.
Do couro originado das peles de cavalo são obtidos peças de vestuário do tipo camurça e napa. Próprio para roupas leves e de um padrão de qualidade superior. Não é divulgado comercialmente.

Avestruz: quando o couro for originado do avestruz.
O couro do avestruz é naturalmente identificável, pois apresenta folículos salientes na região central de sua extensão (denominada diamante), deixados nos locais onde as plumas da ave estavam inseridas.
Sua utilização é recente no mercado e vêm sendo muito usado na linha de calçados, bolsas e vestuários. Também é classificado como couro Exótico.

PROCESSO PRODUTIVO DO COURO

CONSERVAÇÃO DO COURO CRU PARA O CURTIMENTO

A IMPORTÂNCIA DA SALGA

A forma mais usada para conservação das peles é a salga. O sal diminui o teor de água das peles impedindo assim o desenvolvimento bacteriano
Os processos de conservação evitam que as bactérias se desenvolvam sobre as peles, já que estas bactérias vão “comer” a pele, apodrecendo-a e transformando-a em material sem utilidade.

Se o processo de conservação do couro não for bem feito, mesmo depois de curtido e acabado, poderão aparecer algumas evidências quanto à presença de desenvolvimento bacteriano. Por exemplo:

a)    Afrouxamento do pêlo
b)    Carnal meloso
c)    Flor solta, Flor perfurada.
d)    Demarcação das veias
e)    Manchas de ferro, manchas de sal (granulações com diferentes tipos de cor e formas)
f)    Surgimento de manchas vermelhas em couros acabados significa que a flora bacteriana está atuando sobre a matéria-prima curada.
g)    Manchas com coloração violeta ocorrem pela ação bacteriana em profundidade. São resistentes aos processamentos no curtume.

A fabricação do couro é um conjunto de diversas etapas compostas por processos químicos e físico-mecânico que tornam a pele um produto agradável e bonito. Cada mudança, nessas etapas, pode fornecer couros de diferentes tipos, aspectos e características.
RIBEIRA
É o conjunto de operações e processos que visam a preparação da pele para o curtimento

CURTIMENTO
É o processo que visa transformar a pele animal, em um material estável, durável, resistente ao ataque de microorganismos e enzimas. O curtimento aumenta a estabilidade hidrotérmica das peles que adquirem lisura de flor, enchimento, elasticidade, resistência ao rasgo e resistência à ruptura da flor.
Só após o curtimento, a pele recebe o nome de couro.
Apenas as peles de animais pequenos, curtidas com pelo ou lã (ovelhas, cabras, etc.) ou as exóticas (peixes, rã galinha, cobra, etc.) são ainda chamadas de pele, mesmo depois de curtidas.

Tipos de Curtimento:

Curtimento Mineral (inorgânico): o curtimento inorgânico mais comum é realizado com sais de cromo trivalente. (cromo III)
O couro é denominado wet-blue quando curtido unicamente com sais de cromo. Pelas características dos couros obtidos de elevada maciez, elasticidade, baixo peso específico, estabilidade à luz, toque, entre outras, estes couros são os mais empregados na fabricação de vestuários.

Curtimento Vegetal (orgânico): o curtimento orgânico mais comum é o realizado com taninos vegetais, combinados ou não com taninos sintéticos, entre outros. Pelas características dos couros obtidos, de maior peso específico, menor estabilidade à lavagem, estes couros não são normalmente empregados para a fabricação de vestuário.

Curtimento Misto: é o curtimento realizado com produtos de origem de síntese como glutaraldeído e fenóis, que fornecem aos couros características específicas como resistência a lavagens e baixo peso específico. Esta combinação é indicada também para o pré-curtimento.

Curtimento de Preservação: Couro não curtido ao cromo. Com engraxes superficiais.

Recurtimento:
é o processo onde são definidas características desejadas no couro como enchimento, elasticidade, resistências, lixabilidade, facilidade de reter estampas, entre outras. O recurtimento pode ser combinado através do emprego de curtentes orgânicos, inorgânicos ou de síntese (como por exemplo: derivados de melanina, fenol, acrílico e dicianodiamida) adequadamente aplicados.

Classificação dos couros de acordo com o curtimento/recurtimento:

CROMO: Couro curtido e recurtido ao cromo WET BLUE.

ATANADO: couro curtido com curtentes (tanino) vegetal. Conhecido como “couro vegetal”

SEMICROMO: couro curtido ao cromo e recurtido com curtentes vegetais.

WET WHIT: couro, de coloração branca, curtido ao alumínio, zircônio, formol ou aldeído glutárico que não sofreu nenhuma operação complementar e que permanece úmido, podendo ser estocado ou comercializado neste estado. Pode ser considerado curtido de preservação.

ZONAS DA PELE

Conhecer e identificar corretamente as zonas de uma pele de couro é fundamental para todos profissionais do setor que atuam em qualquer etapa de produção.
São informações básicas que garantem o melhor aproveitamento tanto da matéria prima trabalhada como do produto final.



Algumas características das peles variam em função da raça do animal, clima, alimentação, tipo de criação, etc. Como nem todas as peles são iguais, é um desafio para os curtidores obter couros uniformes.

ILUSTRAÇÃO TRADICIONAL

ILUSTRAÇÃO NO ANIMAL

DESTAQUE DAS REGIÕES



SENTIDO DA ELASTICIDADE DAS FIBRAS NO COURO INTEIRO E  NO COURO DIVIDIDO AO MEIO

PROPRIEDADES DA PELE PARA CONFECÇÃO

A qualidade da pele curtida, a sua flexibilidade a textura do aveludado e a sua resistência dependem da estrutura fibrosa, ou seja, da magreza de suas fibras individuais e do seu tecido intermediário. O curtidor, pela sua forma de trabalhar, pode variar a magreza das fibras do feixe e a firmeza do tecido, de forma que pode se produzir, de um só tipo de material bruto, curtidos com variações na suavidade, caimento e tato. A sua habilidade centra-se em eleger uma pele e produzir um curtido com as propriedades especiais requeridas para um fim especifico. As propriedades requeridas para confecção são bastante diferentes às utilizadas para a parte superior do calçado. A pesar disto há variações naturais numa mesma pele e nas peles do mesmo tipo de animal e que não tem como ser modificadas. Deste modo, é fundamental ter conhecimento destas variações para obter resultados satisfatórios ao cortar uma pele para confecção.

Diferentes estruturas da pele

O Grupão, ou a zona central da pele tem um tecido fibroso compacto, pois as suas fibras estão entretecidas em forma de ângulo médio à superfície. Isto proporciona um curtido com textura firme e com menos tendência a quebras ou propensão à formação de vincos tesos ao dobrar o couro suavemente para dentro. O aveludado da camurça é firme e fino.

Nos FLANCOS, as fibras se entrelaçam menos e o tecido é mais solto, com fibras de ângulo menor à superfície. Proporcionam curtidos com textura menos firme e tem mais tendência a quebras, e as fibras do aveludado mais longas. Essa tendência seria mais acentuada com a aplicação de uma camada de polímero, por exemplo, à entretela. Por isso é pouco recomendável utilizar a pele dos flancos para as peças centrais de um vestuário ou para paramentos das lapelas, punhos, cotovelos, bolsos e etc. A pele dos flancos não é necessariamente frouxa.

OS PROCESSOS DE TRANSFORMAÇÃO DA
PELE CRUA AO ATÉ O WET – BLUE

ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO
Veja a definição de cada etapa do processo produtivo a partir do fluxo geral da produção apresentado no diagrama acima.

















 
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NBRs 15105 15106

Não lavar? lavar a seco? lavar com especialistas? São informações pouco claras que às vezes inibem e confundem o consumidor final e até os prestadores de serviços de lavanderia. Pois é comum verificar que as indústrias de confecção em couro aplicam etiquetas com recomendações adversas à natureza da matéria-prima e com informações que transferem os riscos para o prestador de serviços. Em peças importadas a discrepância é ainda maior.

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ETIQUETAGEM DO COURO

Para empregar a conhecida simbologia internacional de manutenção para o vestuário têxtil, o Brasil dependeu de autorização da França que detém a sua licença de uso. Desta feita, o Brasil saiu na frente e publicou normas técnicas para gerar etiquetas com símbolos de manutenção para roupas de couro e seus acessórios. E a partir da sua regulamentação poderá utilizar canais para torná-la internacional.

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SIMBOLOGIA APLICADA

O estudo técnico-científico Simbologia Aplicada para Tratamento do Couro foi  selecionado e apresentado com exclusividade para o XVII Congresso Latino-americano de Químicos e Técnicos da Indústria do Couro em 2008. Produzido pelo CRC- Couro, reúne  o Manual das NBR’s 15105 e 15106  e o seu estudo conclusivo que é a Aplicação do Manual das NBRs 15.105  e 15.106 na Cadeia Produtiva do Couro,  um dos selecionados para apresentação durante o Congresso FLAQTIC 2008.

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LOCALIZAÇÃO

Rua Santa Justina, 47, Vila Olímpia, São Paulo, SP
cep: 04545-040
Fone: (11) 3842.6975